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Queda e Triunfo
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A Queda do Dia

O Exílio do Fundador

Expulso da empresa que ele mesmo fundou. Doze anos depois, voltou e a salvou da falência.

 
 

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Queda e Triunfo

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Homem de costas diante de prédio corporativo vazio ao amanhecer, sala iluminada por luz dourada fria
I

A Cena

 

Ser expulso da empresa que fundou deveria encerrar a biografia de qualquer um. Em Jobs, foi o capítulo que preparou o regresso e o resgate da Apple à beira da falência. A queda durou doze anos e valeu cada um deles. A votação que o derrubou abre esta edição.

31 de maio de 1985. Cupertino, Califórnia.

A sala de reunião do conselho da Apple estava em silêncio quando a votação terminou.

De um lado da mesa, John Sculley, o executivo que vendia água com açúcar na Pepsi e que Jobs havia recrutado dois anos antes com a frase mais famosa do Vale do Silício: "Você quer passar o resto da vida vendendo água açucarada ou quer uma chance de mudar o mundo?".

Do outro lado, Steve Jobs, 30 anos, cofundador da empresa, criador do Macintosh, dono do rosto que estampava as capas de revista.

O conselho havia escolhido Sculley.

Jobs perdeu todas as suas responsabilidades operacionais. Não foi demitido com uma carta. Foi esvaziado. Tiraram dele a divisão do Macintosh, o produto pelo qual ele havia sacrificado anos da vida. Ofereceram-lhe uma sala vazia num prédio distante, sem equipe, sem projeto, sem poder.

Os funcionários começaram a chamar o lugar de "Sibéria". Jobs tinha fundado a Apple numa garagem em 1976. Aos 25 anos, virou multimilionário. Aos 30, estava sendo expulso da própria criação por um homem que ele mesmo trouxera para dentro.

 
 
 
⚔⚔⚔
 
 
II

A Queda

 

A humilhação foi pública e total. Jobs era o cofundador, mas o conselho concluiu que ele era ingovernável: temperamental, obcecado, incapaz de tocar o Macintosh dentro de prazos e custos. As vendas do computador haviam decepcionado. Sculley defendeu que a empresa precisava de ordem, não de um visionário descontrolado. E o conselho concordou.

Jobs tentou um último movimento. Articulou nos bastidores uma reorganização que o devolveria ao comando enquanto Sculley estava viajando. O plano vazou. Sculley convocou o conselho, expôs a manobra e pediu uma escolha entre os dois. Perdeu por unanimidade.

Em setembro de 1985, Jobs vendeu quase todas as suas ações da Apple, mantendo uma única, para continuar recebendo os relatórios de acionista. Saiu da empresa que carregava seu DNA. Tinha 30 anos, uma fortuna, e nenhum lugar para ir.

 

Anos depois, ele descreveria aquele período sem suavizar nada. Disse que se sentiu um fracasso público, que pensou em fugir do Vale do Silício, que o chão havia desaparecido sob os pés. O fundador da Apple havia se tornado, da noite para o dia, um homem sem empresa.

 
 
⚔⚔⚔
 
 
III

O Triunfo

 

Mas Jobs não fugiu. Pegou parte da fortuna e fundou uma nova empresa de computadores, a NeXT, apostando em máquinas sofisticadas para universidades e laboratórios. A NeXT nunca vendeu em volume. Comercialmente, foi quase um fracasso. Tecnicamente, foi um laboratório do futuro: o sistema operacional da NeXT seria, anos depois, a espinha dorsal de tudo o que a Apple construiria.

No mesmo período, ele fez uma aposta que ninguém entendeu. Comprou por dez milhões de dólares uma pequena divisão de computação gráfica que George Lucas estava vendendo. Ela se chamava Pixar.

 

Durante anos, a Pixar queimou dinheiro, e Jobs cobriu o prejuízo do próprio bolso, cheque após cheque. Até que, em 1995, lançou Toy Story, o primeiro longa-metragem inteiramente feito em computador da história.

~ A aposta que ninguém entendeu

 

O filme foi um fenômeno mundial. Jobs, o homem expulso da Apple, tinha acabado de revolucionar o cinema. Então o destino fechou o círculo. Em 1996, a Apple estava à beira da falência, perdendo bilhões, sem um sistema operacional moderno para enfrentar a Microsoft.

A solução que a empresa encontrou foi comprar a NeXT. E, junto com a NeXT, veio de volta o homem que ela havia expulsado onze anos antes.

Em 1997, Jobs assumiu como CEO interino de uma Apple a noventa dias da insolvência. Cortou produtos, renegociou com a Microsoft, lançou o iMac. Depois vieram o iPod, o iPhone, o iPad. Quando ele morreu, em 2011, a Apple era a empresa mais valiosa do planeta.

 

O fundador exilado voltou e construiu, sobre as ruínas da própria humilhação, a corporação mais lucrativa da história.

 
 
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IV

A Lição

 

Você vai ser tirado, em algum momento, de alguma coisa que ajudou a construir. Um cargo, um projeto, uma sociedade, uma porta que você abriu e na qual te disseram que não pode mais entrar. E a tentação será acreditar que aquele lugar era a única medida do seu valor.

 

A NeXT, que parecia derrota, virou a chave de entrada. A Pixar, que parecia capricho, virou um império. O exílio não foi pausa. Foi onde ele se tornou capaz de fazer o que voltaria a fazer.

 

Jobs levou doze anos para voltar à Apple. Mas o que o trouxe de volta não foi o ressentimento, e sim tudo o que ele construiu enquanto estava do lado de fora. Quando te empurrarem para a sua Sibéria, lembre que ela também pode ser uma forja.

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Verdadeiro ou Falso: durante o exílio da Apple, Steve Jobs comprou por dez milhões de dólares a divisão de computação gráfica que viria a se tornar a Pixar, estúdio de Toy Story.

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