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Sor Juana Inés de la Cruz passou o ano seguinte em penitência. Dormia pouco, jejuava e cuidava das tarefas do convento. Os registros das jerônimas não guardam nenhum texto dela desse período além de papéis de devoção.
No começo de 1695, uma epidemia entrou no convento de São Jerônimo. Os cronistas da época a chamam de peste; historiadores de hoje suspeitam de tifo, sem certeza, porque a descrição dos sintomas é vaga. Das freiras da casa, segundo Calleja, adoeceram nove em cada dez.
A enfermeira da cela vazia
Juana Inés cuidou das irmãs doentes, deu água, trocou panos e ajudou a enterrar as que morriam. Pegou a doença no fim de março. Em 17 de abril de 1695, às quatro da manhã, a irmã Juana Inés partiu, aos 46 anos. O arcebispo Aguiar y Seijas viveu até 1698, três anos além dela.
O enterro foi no coro do convento, como mandava a regra das jerônimas. O sábio mexicano Carlos de Sigüenza y Góngora, amigo dela e astrônomo da universidade, fez o elogio fúnebre. O texto dele se perdeu, e só sobrou a notícia de que existiu.
O silêncio parecia definitivo. Uma freira sem livros, enterrada no coro do próprio convento, com a obra presa a três volumes impressos longe dali.
Os papéis de Madri
A obra estava mais segura fora do México. O primeiro volume, Inundación castálida, tinha saído em Madri em 1689 e ganhado reedições. O segundo saiu em Sevilha em 1692, com o Primero sueño (Primeiro sonho), o poema longo de quase mil versos sobre a alma tentando entender o mundo durante uma noite.
Em 1700, saiu em Madri o terceiro: Fama y obras póstumas (Fama e obras póstumas). Juan Ignacio de Castorena y Ursúa, padre mexicano, juntou os textos guardados por amigos e abriu o livro com a biografia escrita por Calleja.
Ao longo do século XVIII, os três volumes ganharam novas edições em Madri, Barcelona e Valência. A freira que renunciou às letras virou a autora em espanhol mais impressa daquela geração.
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