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Emil Östreicher, antigo dirigente do Honvéd, também tinha ficado no Ocidente e trabalhava como secretário técnico do Real Madrid. Foi ele quem indicou Puskás a Santiago Bernabéu, o presidente do clube.
O Real Madrid tinha vencido as três primeiras Copas dos Campeões, de 1956 a 1958, com o argentino Alfredo Di Stéfano no comando do ataque. Bernabéu aceitou a aposta e contratou o húngaro em 1958.
A barriga em Madri
O técnico, o argentino Luis Carniglia, olhou para o reforço e reclamou do peso logo no primeiro dia. Puskás treinou à parte nas semanas iniciais, com corrida, dieta e sauna, até caber de novo no uniforme branco. Perdeu peso aos poucos, sem anúncio, e trocou o arranque de garoto pelo posicionamento: esperava a bola onde ela ia cair.
Na primeira temporada, ganhou lugar no time titular e voltou a marcar no Campeonato Espanhol. Na final europeia de 1959, contra o Reims, em Stuttgart, ficou de fora machucado e viu o Real vencer por 2 a 0.
Ao lado de Di Stéfano, formou a dupla de ataque mais temida da Europa. Os dois disputavam a artilharia, dividiam as bolas e aprenderam a se procurar em campo.
18 de maio de 1960
A final seguinte foi em Glasgow, no Hampden Park, contra o Eintracht Frankfurt. Os alemães tinham eliminado o Rangers, da Escócia, na semifinal, com 12 gols marcados nos dois jogos.
Cerca de 127 mil pessoas lotaram o estádio, o maior público já registrado numa final da Copa dos Campeões. Na arquibancada estava um garoto de Glasgow de 18 anos, Alex Ferguson, que décadas depois treinaria o Manchester United. O Eintracht abriu o placar aos 18 minutos, com Richard Kress.
Di Stéfano empatou aos 27 e pôs o Real na frente aos 30. No último lance do primeiro tempo, Puskás acertou de esquerda um chute de ângulo fechado: 3 a 1.
No segundo tempo, cobrou pênalti aos 56 minutos. Aos 60 e aos 71, marcou mais dois. O placar chegou a 6 a 1, com quatro gols do húngaro que os italianos tinham deixado passar.
Erwin Stein descontou duas vezes para o Eintracht, e Di Stéfano completou o terceiro dele entre um gol e outro. Final: Real Madrid 7, Eintracht Frankfurt 3.
Nenhum jogador marcou quatro gols numa final da Copa dos Campeões antes ou depois de Puskás. O torneio trocou de formato e virou Liga dos Campeões em 1992, e a marca segue com ele.
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