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Em Toulouse, Milton Santos deu aula de geografia em francês a alunos que nunca tinham ouvido falar de Brotas de Macaúbas. Depois passou por Bordeaux e por Paris, onde lecionou na Sorbonne e no Instituto de Estudos do Desenvolvimento Econômico e Social.
O emprego mudava de país a cada poucos anos. Ele aceitava o convite que aparecia, levava a família e recomeçava a pesquisa do zero numa cidade nova.
Do MIT a Dar es Salaam
Em 1971, foi pesquisador no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Em seguida, lecionou na Universidade de Toronto, no Canadá, e na Universidade Central da Venezuela, em Caracas.
De 1974 a 1976, deu aula na Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, país africano que tinha se tornado independente da Inglaterra pouco mais de uma década antes. Encerrou o circuito como professor visitante na Universidade Columbia, em Nova York.
Na Tanzânia, o governo de Julius Nyerere tentava reorganizar o campo em aldeias coletivas, chamadas ujamaa (família, em suaíli). O professor brasileiro acompanhou de perto um país pobre planejando o próprio território, o mesmo trabalho que ele fazia na Bahia antes de 1964.
Cada cidade entrou na obra. Ao comparar Caracas, Lima, Dar es Salaam e Salvador, ele percebeu que as cidades pobres funcionam com dois circuitos de economia: o superior, de bancos, indústria e grande comércio, e o inferior, de camelô, oficina de fundo de quintal e pequena venda.
Os dois circuitos dependem um do outro. O camelô compra do atacadista, o operário da fábrica almoça na barraca da esquina, e a cidade pobre só se explica quando o geógrafo olha os dois ao mesmo tempo.
O livro do exílio
A ideia virou o livro L'Espace partagé (O espaço dividido), publicado em Paris em 1975. Em 1978, saiu no Brasil Por uma Geografia Nova, em que ele defende que o espaço é produto do trabalho humano e da técnica de cada época, e não só um palco onde as pessoas vivem.
Em 1977, com a abertura lenta do regime, voltou ao Brasil. O retorno não trouxe cargo de imediato: passou um período como consultor e só em 1979 entrou como professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Em 1983, foi aprovado como professor titular de geografia na Universidade de São Paulo, onde ficou até a aposentadoria. Ali formou uma geração de geógrafos e publicou, em 1996, A Natureza do Espaço, o livro que muitos colegas tratam como a síntese da obra.
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