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Jorge Luis Borges seguiu escrevendo durante os anos de Perón. Em 1949 publicou O Aleph, outro livro de contos, e de 1950 a 1953 presidiu a Sociedade Argentina de Escritores, a mesma casa do jantar de 1946.
16 de setembro de 1955: um levante militar chamado Revolução Libertadora derruba Perón. Em outubro, o governo provisório nomeia Borges diretor da Biblioteca Nacional, instalada num casarão da rua México, no bairro de San Telmo.
O novo diretor já não lia. Aos 56 anos, enxergava vultos e manchas de cor; contou depois que o amarelo foi a última cor a ficar com ele. Ganhou centenas de milhares de livros no mesmo ano em que perdeu a capacidade de abrir um deles sozinho.
Dois diretores antes dele
Borges gostava de lembrar uma coincidência da casa. Dois diretores anteriores da Biblioteca Nacional, o escritor José Mármol e o crítico francês Paul Groussac, também tinham terminado cegos. Groussac comandou a biblioteca de 1885 a 1929, e Borges se via como o terceiro da linhagem.
Ele transformou a coincidência num poema. O Poema de los dones (Poema dos dons) saiu no livro El hacedor (O fazedor), de 1960, e abre com a cena do diretor diante das estantes que não consegue ler.
A mãe como leitora
Leonor Acevedo, perto dos 80 anos, passou a ler para o filho em voz alta e a anotar o que ele ditava. Funcionários e alunos ajudavam no resto do expediente.
Borges compunha de cabeça, andando pela rua ou pelo casarão, e foi o motivo de voltar ao verso metrificado e à rima, que se guardam na memória com facilidade, e preferiu textos curtos, que cabem inteiros na cabeça antes do ditado.
A cátedra e o Formentor
1956: recebe o Prêmio Nacional de Literatura e assume a cátedra de literatura inglesa e norte-americana na Universidade de Buenos Aires, onde dá aula por mais de uma década.
1961: divide com o irlandês Samuel Beckett o Prêmio Formentor, criado por editores europeus. O prêmio levou Ficções a editoras de vários países, e o ex-auxiliar da Miguel Cané passou a viajar para dar cursos nos Estados Unidos e na Europa.
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