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Guccio Gucci partiu em 2 de janeiro de 1953, em Milão, aos 71 anos, semanas antes da inauguração em Manhattan. Deixou a empresa aos três filhos homens. Grimalda, a filha, ficou fora da partilha: o pai achava o negócio assunto de homens.
Aldo, o mais velho, cuidava das lojas nos EUA e tinha faro para vitrine. Rodolfo, que nos filmes dos anos 1930 assinava Maurizio D'Ancora, administrava a loja de Milão. Vasco tocava a fábrica de Florença.
Vasco partiu em 1974, e Rodolfo comprou a parte dele. A empresa ficou dividida meio a meio entre os dois irmãos restantes. Aldo repassou uma fatia da metade dele aos filhos Giorgio, Roberto e Paolo.
O gravador de Paolo
Paolo Gucci, filho de Aldo e desenhista da casa, queria lançar uma linha própria, assinada por ele. O pai e o tio vetaram o projeto. Em 1980, Paolo foi demitido da empresa da família.
Em 1982, numa reunião do conselho em Florença, ele levou um gravador para registrar as queixas. A discussão terminou em agressão. Paolo saiu da sala com o rosto arranhado e abriu processo contra os parentes.
A vingança veio pelo fisco. Paolo entregou às autoridades americanas papéis sobre as contas do pai. Em 1986, Aldo Gucci, aos 81 anos, se declarou culpado de sonegação e cumpriu um ano e um dia numa prisão federal da Flórida.
O neto que vendeu a casa
Rodolfo partiu em 1983 e deixou a metade dele ao único filho, Maurizio Gucci, formado em direito. Maurizio se aliou ao primo Paolo, tirou o tio Aldo do comando e virou presidente da casa.
Em 1987, a justiça italiana o acusou de falsificar assinaturas para fugir do imposto sobre a herança. Maurizio fugiu para a Suíça e depois foi absolvido. Nos mesmos anos, o Investcorp, banco de investimento do Bahrein, comprou em silêncio as ações de Aldo e dos filhos dele.
Aldo Gucci partiu em Roma em 1990, aos 84 anos, sem ações da empresa do pai e longe das lojas americanas que ele mesmo tinha aberto.
Sob Maurizio, a empresa perdia dinheiro. Ele sonhava com lojas e móveis de luxo e não equilibrava as contas. Em 1993, vendeu ao Investcorp os 50% que restavam. A jornalista Sara Gay Forden, no livro The House of Gucci (A casa Gucci), de 2000, calcula a operação em cerca de 170 milhões de dólares.
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