|
Cleveland bebia água do lago Erie. Para buscá-la longe da sujeira da margem, a prefeitura cavava túneis sob o fundo do lago até torres de captação no meio da água, chamadas de cribs (as torres de tomada d'água).
Em 24 de julho de 1916, por volta das dez da noite, uma bolsa de gás natural explodiu dentro do túnel em construção da torre número 5. Os operários que trabalhavam lá embaixo ficaram presos no escuro, com o ar envenenado.
Equipes de resgate desceram atrás deles. Várias não voltaram: o gás derrubava os homens em minutos, antes que alcançassem os colegas caídos.
O inventor de pijama
Alguém lembrou do homem dos capuzes. De madrugada, mensageiros bateram na casa de Garrett Morgan, que saiu ainda de pijama com o irmão, Frank Morgan, e uma carga de capuzes no carro.
Os dois vestiram o aparelho e desceram no túnel com voluntários. Lá embaixo, carregaram nas costas os homens caídos, um por vez, até o elevador.
O capuz funcionava do jeito previsto na patente. O tubo pendia até perto do chão do túnel, onde o ar ainda trazia algum oxigênio, e a esponja molhada segurava parte da poeira levantada pela explosão.
Os relatos da época divergem na contagem exata. O que todos registram: Morgan e o grupo tiraram com vida pelo menos dois operários e trouxeram para cima corpos que, sem o capuz, ninguém mais conseguiria buscar. O desastre deixou cerca de vinte vítimas, entre trabalhadores e socorristas.
Morgan desceu várias vezes. Os gases do túnel o afetaram pelo resto da vida, com crises que voltavam anos depois.
A medalha dos vizinhos
Os primeiros jornais deram crédito a outros homens do resgate. A medalha oficial de bravura do Carnegie Hero Fund, fundo americano criado para premiar heróis civis, não chegou até ele, e Morgan atribuiu a recusa à cor da pele.
Moradores de Cleveland agiram por conta própria. Juntaram dinheiro e entregaram a ele uma medalha de ouro cravejada de diamantes, com o título de cidadão mais valente da cidade.
A notícia do resgate também fez o capuz chegar a bombeiros e mineradoras de vários estados. A demonstração mais convincente da invenção tinha acontecido sem tenda, sem ator e sem fantasia.
|