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Wangari Muta Maathai escreveu ao Kenya Times, ao gabinete do presidente Daniel arap Moi, à prefeitura de Nairóbi, ao Ministério do Meio Ambiente e ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que tem sede na cidade. Pedia um estudo de impacto ambiental e lembrava que o parque era o único respiro verde de quem trabalhava no centro.
O projeto, contou ela em Unbowed (Inabalável, em tradução livre), as memórias publicadas em 2006, reunia a sede do partido KANU, escritórios, lojas, estacionamento e uma estátua do próprio Moi. O dinheiro viria de empréstimos estrangeiros, num país já endividado.
Nenhuma carta teve resposta do governo. Ela levou o caso à Justiça, e o tribunal recusou a ação: decidiu que uma cidadã comum não tinha legitimidade para processar em nome do público.
Ela insistiu por escrito. Em Unbowed, conta que mandou cópias a embaixadas e a jornais de Londres e Nova York, e que toda carta repetia o mesmo argumento: o parque pertencia a quem não tinha quintal em casa.
O Parlamento contra uma mulher
Em novembro de 1989, deputados gastaram sessões inteiras atacando a professora. Um deles a chamou de louca; outros disseram que o Movimento Cinturão Verde servia a interesses estrangeiros e que uma mulher divorciada não tinha moral para dar lição a ninguém.
Moi entrou na briga em discurso público. Disse que, pela tradição africana, a mulher devia respeitar os homens e ficar quieta, e cobrou que ela se pusesse no lugar dela.
Os jornais do partido repetiram os ataques por semanas, e parte dos colegas da universidade passou a evitar o nome dela em público.
Em poucos dias, o Movimento perdeu o escritório que ocupava num prédio do governo. As pastas, as mudas registradas e os funcionários foram parar na casa dela, empilhados na sala.
A esquina da liberdade
Janeiro de 1992: Wangari Maathai denuncia em público um suposto plano para entregar o poder aos militares e é presa com outros opositores. Sai sob fiança dias depois, com a saúde abalada.
28 de fevereiro de 1992: mães de presos políticos começam uma greve de fome num canto do Uhuru Park e o batizam de Freedom Corner (Canto da Liberdade). Ela se junta às mães no gramado que tinha salvado da torre.
As grevistas eram mulheres de idade, algumas com filhos presos havia anos sem julgamento. Montaram abrigos de pano e passaram a dormir no gramado.
3 de março de 1992: a polícia chega com cassetetes e gás lacrimogêneo para desmontar o protesto. Wangari Maathai leva golpes na cabeça, cai desacordada e é levada ao hospital. As mães se abrigam na catedral anglicana de Todos os Santos, ali perto, e seguem com a vigília.
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