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A falta de crédito não apagou a obra de Mary Anning. Os achados dela sustentaram teorias inteiras sobre a extinção e os mares do Jurássico, e quase todo geólogo britânico da época passou pela loja de Lyme Regis.
Em 1846, o Museu do Condado de Dorset a nomeou membro honorário, o único título científico que ela recebeu. Já estava doente, com câncer de mama, e tomava láudano (remédio de ópio) para a dor. Alguns vizinhos espalharam que ela bebia, e a fofoca acompanhou os últimos meses dela na cidade.
Mary Anning partiu aos 47 anos, no dia 9 de março de 1847. Em 1848, De la Beche, então presidente da Geological Society, leu um elogio fúnebre a ela na reunião anual, homenagem que a casa nunca tinha feito a quem não era membro.
Em 1850, os sócios pagaram um vitral na igreja de São Miguel, em Lyme Regis, em memória da mulher que nunca pôde frequentar as reuniões. A Geological Society abriu as reuniões às mulheres em 1904 e só aceitou a primeira sócia em 1919, 72 anos após a partida dela.
O caso deixa três cuidados para quem trabalha numa área que ainda não reconhece o seu lugar:
1. Registrar o achado por escrito. Mary deixou cartas e anotações; foram elas que permitiram aos historiadores devolver a autoria dos fósseis.
2. Cultivar quem dá a palavra pública. Birch, Buckland e De la Beche levaram o nome dela a salas em que ela não podia entrar.
3. Separar a renda do reconhecimento. A loja pagou as contas por duas décadas, e o crédito veio depois, por outra porta.
Em 2010, a Royal Society pôs Mary Anning entre as dez mulheres britânicas que mais influenciaram a história da ciência. Em 2022, uma estátua de bronze dela, com o martelo e o cão Tray, foi inaugurada na praia de Lyme Regis, após campanha da estudante Evie Swire.
Os fatos centrais desta edição vêm de The Fossil Hunter, de Shelley Emling, publicado em 2009, e do artigo Mary Anning (1799-1847) of Lyme, do historiador Hugh Torrens, na revista British Journal for the History of Science, em 1995.
O crânio de 1,2 metro que Joseph tirou da areia em 1811 está hoje no Museu de História Natural de Londres, e a etiqueta, agora, traz o nome de Mary Anning.
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