In partnership with

Queda e Triunfo   Queda e Triunfo
ED 139
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores.

A Carta que Bolívar Escreveu em Kingston

Derrotado e exilado na Jamaica em 1815, Simón Bolívar escreve o plano de um continente e volta para vencer em Boyacá.

Simón Bolívar, exilado, escreve uma carta à luz de vela num quarto em Kingston.

Kingston, Jamaica, setembro de 1815

▼
 
 
 

24 de julho de 1783: nasce em Caracas Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios, herdeiro de uma das famílias mais ricas da Venezuela colonial. Aos 9 anos, já está órfão de pai e mãe.

1802: casa em Madri com María Teresa del Toro. Meses após a chegada a Caracas, ela sucumbe à febre amarela. Bolívar nunca volta a casar.

1805: em Roma, no Monte Sacro, jura diante do antigo professor Simón Rodríguez que não vai descansar até tirar a América das mãos da Espanha.

1813: comanda a Campanha Admirável, cruza os Andes venezuelanos e entra em Caracas em agosto. A cidade lhe dá o título de Libertador.

1814: os llaneros (vaqueiros das planícies do rio Orinoco), liderados pelo espanhol José Tomás Boves, desmontam a república em poucos meses. Bolívar perde Caracas e foge para o leste com milhares de civis em retirada.

1815: tenta recomeçar em Nova Granada, a atual Colômbia. Briga com os chefes de Cartagena, abre mão do comando e embarca em maio para a Jamaica, colônia inglesa. Desce em Kingston sem tropa, sem dinheiro e sem cargo.

Na mesma primavera, a Espanha despacha para a América a maior expedição militar de toda a guerra, chefiada pelo general Pablo Morillo. Em agosto, ela cerca Cartagena.

6 de setembro de 1815: num quarto alugado em Kingston, Bolívar termina uma carta longa endereçada a um inglês da ilha, Henry Cullen. Não pede socorro. Explica por que a América espanhola vai se separar da Espanha e desenha os países que nasceriam dali.

10 de dezembro de 1815: um assassino entra no quarto à noite e crava o punhal em quem dormia na rede de Bolívar. Não era ele.

7 de agosto de 1819: o exilado de Kingston vence na ponte de Boyacá e abre a estrada para Bogotá.

Entre a carta e a ponte cabem quatro anos, uma ilha, um punhal que errou de alvo e um presidente estrangeiro que cobrou uma condição em troca de armas. Tudo começa num quarto pago com dinheiro emprestado.

 

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Your Boss Will Think You’re an Ecom Genius

If you’re optimizing for growth, you need ecomm tactics that actually work. Not mushy strategies.

Go-to-Millions is the ecommerce growth newsletter from Ari Murray, packed with tactical insights, smart creative, and marketing that drives revenue.

Every issue is built for operators: clear, punchy, and grounded in what’s working, from product strategy to paid media to conversion lifts.

Subscribe for free and get your next growth unlock delivered weekly.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 
 

I  A Queda

O exilado do quarto alugado

 
 

Em Kingston, Simón Bolívar y Palacios vive de empréstimo. Tem 32 anos, a fortuna da família ficou presa na Venezuela ocupada pelos espanhóis e as cartas dele para Londres pedindo dinheiro e armas voltam sem resposta.

Quem paga as contas é um comerciante inglês, Maxwell Hyslop, que empresta a Bolívar o suficiente para o aluguel e a comida. Em cartas a Hyslop, o venezuelano conta os trocados e diz que já vendeu o que tinha para vender.

A notícia que chega do continente piora a cada navio. Morillo toma a costa venezuelana, sobe para Nova Granada e fecha o cerco sobre Cartagena, a cidade com a qual Bolívar tinha brigado meses antes.

O cerco dura de agosto a dezembro de 1815. Os moradores comem couro e ratos. Quando os espanhóis entram, encontram uma cidade faminta; a partir dali, tribunais militares mandam fuzilar os líderes da independência em Nova Granada.

 

Em setembro de 1815, a revolução que Bolívar comandava não tinha capital, tropa nem aliado: tinha um homem sem dinheiro escrevendo numa ilha inglesa.

 

É desse quarto que sai a Carta da Jamaica, datada de 6 de setembro. O destinatário, Henry Cullen, morava em Falmouth, no norte da ilha, e tinha feito perguntas sobre o futuro das colônias espanholas.

Bolívar responde com um diagnóstico. A Espanha, escreve, governa a América como uma fazenda: proíbe fábricas, reserva o comércio aos espanhóis e deixa os criollos (descendentes de europeus nascidos na América) fora dos cargos de mando.

Depois arrisca previsões. Diz que o México tende a virar república com um líder forte, que a Argentina corre risco de cair numa oligarquia e que um país só para todo o continente seria impossível, por causa das distâncias e dos interesses locais.

Sonha mesmo assim com a união. Imagina um congresso no Panamá reunindo as novas repúblicas, ideia que ele próprio vai convocar onze anos mais tarde, em 1826.

O trecho mais citado da carta ficou assim na tradução portuguesa: "Desejo, mais que nenhum outro, ver formar-se na América a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas que por sua liberdade e glória." (Simón Bolívar, Carta da Jamaica, 1815).

A carta não tinha leitor garantido. Foi publicada pela primeira vez em inglês, em 1818, numa revista da própria Jamaica. O original em espanhol se perdeu; o texto que circula hoje vem de traduções e de uma cópia manuscrita achada em 2014 num arquivo de Quito, no Equador.

Três meses depois de assinar a carta, o exilado escapa por acaso da lâmina.

 
 
 

II  O Triunfo

Da rede vazia à ponte de Boyacá

 
 

Na noite de 10 de dezembro de 1815, Bolívar sai do quarto e não volta para dormir. Na rede dele deita José Félix Amestoy, antigo oficial que tinha chegado a Kingston pedindo abrigo.

De madrugada, Pío, escravizado que servia Bolívar, entra no escuro e crava a faca em quem está na rede. Amestoy não sobrevive. Pío é preso, confessa e acaba enforcado pelas autoridades inglesas da ilha.

John Lynch, na biografia Simón Bolívar: A Life (2006), registra a suspeita de que agentes espanhóis tinham pago Pío para o golpe. Nenhum documento provou o mandante, e a pergunta segue sem resposta nos arquivos.

Bolívar entende o recado: a Jamaica não protege mais ninguém. Dias depois embarca para o Haiti, a única república governada por ex-escravizados nas Américas.

Em Porto Príncipe, o presidente Alexandre Pétion recebe o exilado e oferece navios, fuzis, pólvora, uma tipografia e dinheiro. Pede uma única condição: que Bolívar liberte os escravizados de cada território que conquistar.

 

O Haiti deu a Bolívar a primeira expedição armada desde a derrota, e o preço cobrado foi a abolição.

 

Bolívar aceita. Em 1816, desembarca na costa venezuelana e decreta a liberdade dos escravizados que se juntarem ao exército. A primeira expedição fracassa; ele volta ao Haiti, Pétion arma uma segunda, e desta vez a tropa se firma.

Em 1817, ele troca a costa pelo interior e se instala em Angostura, cidade às margens do Orinoco. Ali junta os llaneros do general José Antonio Páez, os mesmos vaqueiros que tinham derrubado a república em 1814, e recruta voluntários britânicos e irlandeses, veteranos das guerras contra Napoleão.

Em maio de 1819, decide atacar onde os espanhóis menos esperam. Deixa Caracas quieta e mira Bogotá, coração do vice-reino de Nova Granada, atrás da cordilheira dos Andes.

A marcha começa nas planícies alagadas pela chuva e termina no páramo de Pisba (planalto gelado acima de 3 mil metros). Soldados das planícies, sem roupa de frio, sobem descalços. Cavalos e homens ficam pelo caminho.

No alto, o exército se junta às tropas de Francisco de Paula Santander. Em 25 de julho, empata com os espanhóis no Pântano de Vargas.

Em 7 de agosto de 1819, na ponte sobre o rio Teatinos, em Boyacá, as forças de Bolívar e Santander cortam a coluna do coronel espanhol José María Barreiro, que marchava para proteger Bogotá. A batalha dura cerca de duas horas. Barreiro é capturado com boa parte da tropa.

O vice-rei Juan de Sámano foge de Bogotá disfarçado. Em 10 de agosto, Bolívar entra na capital sem disparar um tiro.

 
 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Free email without sacrificing your privacy

Gmail tracks you. Proton doesn’t. Get private email that puts your data — and your privacy — first.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

III  A Lição

O plano escrito no fundo do poço

 
 

A Carta da Jamaica costuma ser lida como profecia. O que ela mostra, olhada pela data, é um método de quem está no chão.

Bolívar não tinha nada para administrar em setembro de 1815. Usou o tempo parado para entender por que tinha perdido e para desenhar o que viria depois. Quando o Haiti ofereceu armas, ele já sabia para onde levá-las.

O método da carta cabe em três passos:

1. Escrever o diagnóstico da derrota com nomes e causas, longe de quem pode aplaudir ou culpar. Bolívar escreveu a um inglês desconhecido, sem plateia para agradar.

2. Desenhar o mapa do que se quer construir antes de ter os meios. As repúblicas da carta, o congresso do Panamá e a aliança dos povos do continente já estavam no papel quando ele não tinha um soldado.

3. Aceitar o aliado improvável e pagar o preço combinado. Pétion pediu abolição; Bolívar cumpriu no decreto de 1816 e transformou ex-escravizados e llaneros em tropa.

O terceiro passo pesou mais na vitória. Os vaqueiros que destruíram a república em 1814 foram os mesmos que subiram o páramo de Pisba em 1819. O inimigo de ontem virou o exército que ganhou Boyacá.

A carta também mostra o limite do plano. Bolívar previu países desunidos e líderes fortes, e foi o que aconteceu com a Grã-Colômbia que ele mesmo fundou em 1819: em 1830 ela já se partia em Venezuela, Colômbia e Equador.

Simón Bolívar encerrou a vida em 17 de dezembro de 1830, em Santa Marta, na Colômbia, aos 47 anos, doente de tuberculose e afastado do poder. Os restos dele estão desde 1876 no Panteão Nacional da Venezuela, em Caracas.

Os fatos centrais desta edição vêm de Simón Bolívar: A Life, de John Lynch, publicado pela Yale University Press em 2006, e de Bolívar: American Liberator, de Marie Arana, publicado em 2013.

O campo de Boyacá virou parque histórico, com a ponte refeita sobre o rio Teatinos e um monumento a Bolívar, aberto à visitação a duas horas de Bogotá. E a carta de Kingston, escrita por um homem sem tropa num quarto pago com dinheiro emprestado, é lida hoje nas escolas da Venezuela e da Colômbia como a certidão de nascimento do continente que ele previu.

 

Que derrota sua ainda espera o diagnóstico escrito com nome e causa?

 
 
Sorteia o seu passo de hoje. Oito passos, um por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear meu passo de hoje.

Sortear meu passo de hoje →

 
Quiz da edição

Na noite de 10 de dezembro de 1815, um assassino invadiu o quarto de Bolívar em Kingston e esfaqueou quem dormia na rede dele. Quem morreu no lugar do Libertador?

AMaxwell Hyslop, o comerciante inglês que financiava Bolívar
BPío, o escravizado que servia Bolívar
CJosé Félix Amestoy, antigo oficial que pedira abrigo
DHenry Cullen, destinatário da Carta da Jamaica

Resultado da última edição: 83% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

⚔️⚔️⚔️⚔️⚔️  ótima ⚔️⚔️⚔️⚔️  boa ⚔️⚔️⚔️  ok ⚔️⚔️  ruim ⚔️  péssima
 
Escolha a edição de segunda

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai na segunda, 12/10.

Voto aberto até 09/10, 15h30

A O Quiosque de Méliès →
B O Passaporte de Miriam Makeba →
C Piazzolla e Nadia Boulanger →
D O Arroz de Yuan Longping →
 
Recomendação de Newsletter
Leão do Leilão
Leão do Leilão

Leão do Leilão

 

O imóvel do dia com o lance mínimo, quanto ele está abaixo do valor de mercado e se tem alguém morando dentro. No seu email todo dia às 08:08.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

Levante-se. Per aspera ad astra.

QUEDA E TRIUNFO

Toda queda esconde um triunfo

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter
📚 Artigos