In partnership with

Queda e Triunfo   Queda e Triunfo
ED 148
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

19 Anos Até O Príncipe de Maquiavel Chegar à Gráfica

Expulso de Florença depois de seis tratos de corda, ele escreveu na fazenda o livro que só saiu impresso cinco anos após sua partida.

Homem de túnica escura escrevendo à luz de vela num escritório de fazenda toscana, em 1513.

Sant'Andrea in Percussina, Toscana, 1513

▼
 
 
 

3 de maio de 1469: nasce em Florença Niccolò Machiavelli, filho de Bernardo, um advogado de poucas posses. Anos depois, Bernardo monta à mão o índice de lugares de uma edição da História de Roma, de Tito Lívio, e recebe em troca um exemplar encadernado do livro, que fica na estante da casa.

1494: os Médici são expulsos de Florença, e a cidade volta a ser república. O jovem Niccolò, sem diploma de universidade, observa de perto a pregação do frade Savonarola, que governa a cidade pela palavra.

19 de junho de 1498: aos 29 anos, ele é eleito segundo chanceler da república e secretário dos Dez da Guerra, o conselho que cuida da defesa e da diplomacia. Ganha 128 florins por ano.

1502: passa meses ao lado de César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, e manda a Florença cartas quase diárias sobre o modo como o duque conquista e segura cidades na Romanha.

1506: convence o governo a criar uma milícia de cidadãos para substituir os mercenários. Ele mesmo recruta camponeses no interior da Toscana e os põe para marchar.

29 de agosto de 1512: tropas espanholas saqueiam Prato, a 20 quilômetros de Florença, e a milícia de Maquiavel foge. O chefe da república, Piero Soderini, deixa a cidade dias depois. Os Médici voltam.

7 de novembro de 1512: Maquiavel é afastado da chancelaria, depois de 14 anos no posto. Três dias depois, fica proibido de sair do território florentino por um ano e precisa de fiadores para uma garantia de 1.000 florins.

Fevereiro de 1513: aparece um papel com 20 nomes, perdido por um conspirador contra os Médici. O nome dele está na lista.

Entre o índice de Bernardo e a lista dos conspiradores cabem 44 anos. A primeira seção conta o que aconteceu na prisão do Bargello e como ele saiu de lá sem confessar nada.

 

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

AI research, explained in one morning email

Most of what shapes AI next year is sitting in a research paper today. Keeping up with them is a full-time job, and the abstracts don't help.

TLDR AI is the newsletter that does the translating. Each morning you get the handful of papers worth knowing about, curated by Anthropic and ex-Google engineers, with a plain-English summary of what they found and why it matters.

You come away smarter about AI research in the time it takes to finish your coffee.

Free, and delivered to 1.1M+ inboxes every morning.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 
 

I  A Queda

A corda do Bargello

 
 

Pietro Paolo Boscoli e Agostino Capponi, dois jovens florentinos, planejavam derrubar os Médici. Um deles deixou cair a lista de possíveis aliados, com cerca de 20 nomes. Ninguém provou que Maquiavel soubesse do plano, mas o nome bastou.

Ele foi preso em fevereiro de 1513 e levado ao Bargello, o palácio que servia de cárcere e tribunal. Ali os interrogadores aplicavam o strappado: amarravam as mãos do preso nas costas, içavam o corpo por uma corda presa aos pulsos e soltavam de uma vez.

Maquiavel recebeu seis tratos de corda. Os ombros deslocavam a cada queda, e ele não confessou participação. Boscoli e Capponi foram executados em 23 de fevereiro, e ele ouviu da cela os preparativos.

O soneto da cela

Na prisão, escreveu versos para Giuliano de Médici, irmão do novo senhor da cidade. Pediu clemência com humor seco, descrevendo os grilhões nas pernas e os piolhos do tamanho de borboletas.

 

"Tenho, Giuliano, nas pernas um par de grilhões, com seis tratos de corda nos ombros." Nicolau Maquiavel, soneto a Giuliano de Médici, 1513.

 

Em 11 de março de 1513, o cardeal Giovanni de Médici foi eleito papa com o nome de Leão X. Florença celebrou com fogueiras, e o novo governo concedeu anistia aos presos. Maquiavel saiu do Bargello por volta de 12 de março.

 

Em menos de quatro meses, Maquiavel perdeu o cargo que ocupou por 14 anos, ficou preso à cidade e passou por seis tratos de corda.

 

Livre, estava sem salário, sem posto e marcado como suspeito. Escreveu a Francesco Vettori, amigo e embaixador florentino em Roma, pedindo que o recomendasse aos Médici. Vettori respondeu com cortesia e nada conseguiu.

Com mulher, Marietta Corsini, e filhos pequenos para sustentar, Maquiavel deixou a cidade. Foi para a propriedade da família em Sant'Andrea in Percussina, a cerca de 15 quilômetros ao sul de Florença, na estrada para San Casciano.

A casa tinha um apelido modesto, l'Albergaccio, a estalagem ruim. Do alto do terreno, nos dias limpos, ele via a cúpula da catedral de Florença, a cidade onde não podia mais trabalhar.

 
 
 

II  O Triunfo

A carta a Vettori

 
 

Em 10 de dezembro de 1513, Maquiavel mandou a Vettori a carta mais famosa que escreveu. Nela descreveu, hora por hora, o dia de um ex-secretário da república que virou pequeno proprietário rural.

Acordava cedo e ia ao bosque que mandava cortar, onde discutia com os lenhadores. Levava um livro de poesia, Dante ou Petrarca, e lia à beira de uma fonte. Depois seguia para a estalagem da estrada, perguntava notícias aos viajantes e almoçava com a família.

À tarde voltava à estalagem e jogava cartas e gamão com o dono, um açougueiro, um moleiro e dois operários do forno de cal. As apostas eram de poucas moedas, e as brigas, diz ele, se ouviam em San Casciano.

A troca de roupa

Ao anoitecer, o ritual mudava. Ele tirava a roupa do dia, suja de lama e de poeira, e vestia trajes da corte. Entrava no escritório e conversava, pelos livros, com os antigos.

 

"Alimento-me daquele alimento que é só meu e para o qual nasci." Nicolau Maquiavel, carta a Francesco Vettori, 10 de dezembro de 1513.

 

Na mesma carta, contou que tinha anotado o que aprendera nessas conversas e composto um opúsculo chamado De principatibus, sobre os principados. Queria dedicá-lo a Giuliano de Médici e perguntava a Vettori se devia mandar o texto ou entregá-lo pessoalmente.

O inverno de 1513 passou nessa rotina. Quando a carta chegou a Roma, o manuscrito já circulava entre poucos amigos, que o copiavam à mão e devolviam com anotações na margem.

O livro tinha 26 capítulos curtos. Tratava de como se conquistam e se mantêm os Estados, e usava como exemplo os homens que ele vira governar de perto, César Bórgia à frente.

 

Um ex-funcionário de 44 anos, banido e sem renda, escreveu em poucos meses o tratado político mais lido do Ocidente.

 

Giuliano partiu em 1516, e a dedicatória passou a Lorenzo di Piero de Médici, duque de Urbino. Segundo relatos da época, Lorenzo deu pouca atenção ao manuscrito. O cargo não veio.

Maquiavel continuou escrevendo. Nos anos seguintes terminou os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, escreveu a comédia A Mandrágora, encenada em Florença com sucesso, e publicou A Arte da Guerra em 1521, o único livro político impresso em vida.

Em 1520, o cardeal Giulio de Médici encomendou a ele uma história de Florença, com salário de 100 florins por ano. Em 1525, Maquiavel entregou os oito livros das Histórias Florentinas ao encomendante, agora papa Clemente VII.

 
 
 
 

Quem banca a edição de hoje

Silver Has Beaten Gold Before. It's Doing It Again.

From 1974 to 1987, silver more than doubled gold's returns. After 2008, it beat gold five-fold in three years. Since March 2020, silver is up 402% against gold's 186%. Our research team's free playbook explains why, and how the team would position.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

III  A Lição

A tipografia de Blado

 
 

Em maio de 1527, as tropas imperiais saquearam Roma, e os Médici voltaram a perder Florença. A república foi restaurada. Maquiavel, que tinha trabalhado para os Médici nos últimos anos, se candidatou de novo à chancelaria e não foi escolhido.

Partiu semanas depois, em 21 de junho de 1527, aos 58 anos, e foi enterrado na igreja de Santa Croce. O Príncipe circulava apenas em cópias feitas à mão, passadas entre leitores de Florença e de Roma.

Em 1532, cinco anos depois, o impressor Antonio Blado publicou o livro em Roma com autorização do papa Clemente VII. No mesmo ano, a casa dos Giunta lançou outra edição em Florença. Os Discursos já tinham saído em 1531.

A edição de Blado tinha formato pequeno, fácil de levar no bolso. O impressor manteve o título em italiano, Il Principe, que o autor nunca tinha usado na carta a Vettori.

O livro depois do autor

A obra correu a Europa em poucas décadas. Em 1559, entrou no Índice de Livros Proibidos da Igreja, o que não impediu novas edições em Basileia, Londres e Paris, traduzidas para o latim, o francês e o inglês.

O nome do autor virou adjetivo. Em 1605, o filósofo inglês Francis Bacon escreveu que se devia agradecer a Maquiavel por descrever o que os homens de fato fazem.

 

O livro escrito por um banido saiu da gaveta 19 anos depois, impresso com a licença de um papa Médici.

 

A trajetória deixa três passos para quem perde o posto por decisão de outros:

1. Registrar o que se sabe enquanto a memória está fresca. Maquiavel escreveu O Príncipe com 14 anos de cartas e missões ainda vivas na cabeça.

2. Separar uma hora do dia para o trabalho que importa. A troca de roupa ao anoitecer marcava a passagem do jogo de cartas para o escritório.

3. Continuar produzindo sem esperar o reconhecimento. Ele escreveu peça, tratado e história enquanto o cargo não vinha.

A casa de Sant'Andrea in Percussina ainda está de pé, com a estalagem em frente, na beira da estrada, e as caves onde a família guardava vinho. O túmulo em Santa Croce traz, desde 1787, a inscrição em latim: nenhum elogio está à altura de tão grande nome.

Os fatos centrais desta edição vêm da carta de Maquiavel a Francesco Vettori, de 10 de dezembro de 1513, e de Niccolò's Smile, biografia escrita por Maurizio Viroli e publicada em 1998.

O exemplar de Tito Lívio que Bernardo ganhou pelo índice virou, nas mãos do filho, os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, impressos em 1531, um ano antes de O Príncipe chegar à gráfica de Blado.

 

Se o seu trabalho mais importante tivesse de esperar 19 anos pela gráfica, você ainda o escreveria hoje?

 
★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

Abrir o selado →
 
 
Quiz da edição

No interrogatório do Bargello, quantos tratos de corda Maquiavel recebeu sem confessar participação na conspiração contra os Médici?

AQuatro
BSeis
COito
DTrês

Resultado da última edição: 50% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Você pediu, mudou

Você fez a diferença

4,6de 5

63 avaliações · 25 leitores · 03 a 16/10

A escolha da semana

A urna de 12/10 escolheu A Lápide de Zora Hurston. Saiu em 13/10, na ed. 144.

Mais bem avaliada: A Mão Esquerda de Károly Takács (ed. 137), 4,8 de 5 por 10 leitores.

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

⚔️⚔️⚔️⚔️⚔️  ótima ⚔️⚔️⚔️⚔️  boa ⚔️⚔️⚔️  ok ⚔️⚔️  ruim ⚔️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 17/10, 15h30

A O Processo de Sojourner Truth →
B Piazzolla e Nadia Boulanger →
C Ambedkar e a Constituição Indiana →
D Lina Bo Bardi →
 
Recomendação de Newsletter
Gráfico do Dia
Gráfico do Dia

Gráfico do Dia

 

Um gráfico incrível por dia e todo o contexto que ele carrega, em apenas cinco minutos. No seu email todo dia às 08:08.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 
Leitores VIP

Esta edição é dedicada a

Edmilson Quesada

VIP de outubro

Os 100 leitores com mais ouro no mês viram VIP e aparecem aqui. Avalie a edição e assine com nome e sobrenome.

 

Levante-se. Per aspera ad astra.

QUEDA E TRIUNFO

Toda queda esconde um triunfo

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo